Arquivo de Fevereiro de 2009

Sucesso do Plano Nacional sobre Mudança de Clima dependerá também das ações do consumidor

75% das emissões brasileiras vêm de desmatamento e queimadas. Como lembrou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, no lançamento do Plano, conter o desmatamento ilegal é um esforço de vários setores da sociedade e passa por medidas como a regularização fundiária na Amazônia e a implantação do zoneamento ecológico-econômico, um instrumento de planejamento de políticas públicas que considera aspectos econômicos, ambientais e sociais de cada região.

Ações de planejamento ou de fiscalização do governo, entretanto, não serão suficientes. Embora o Plano Nacional não tenha medidas dirigidas especificamente ao consumo, o consumidor terá um papel fundamental para que o país atinja seus objetivos. A importância das ações do consumidor em relação ao aquecimento global foi demonstrada por um estudo feito pela consultoria McKinsey, sob encomenda da Confederação das Indústrias Britânicas (CBI, na sigla em inglês). O relatório “Mudanças climáticas: um assunto de todos” mostrou que, na Inglaterra, 60% das emissões de gases de efeito estufa são controladas ou influenciadas pelos consumidores. Com base nesses dados, os planos daquele país para redução de gases de efeito estufa foram modificados, como informou Martin Broughton, presidente da CBI, durante a apresentação do relatório no Brasil. O foco principal recomendado, sobre o qual as indústrias e o governo deveriam agir, passou a ser o consumidor.

Apesar de não haver levantamento semelhante no Brasil, há uma clara relação entre consumo e desmatamento ilegal de florestas. O estudo “Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia: quem se beneficia do desmatamento da Amazônia”, realizado pelas ONGs Repórter Brasil e Papel Social, mostra como o consumo da maior cidade brasileira é indutor direto das atividades econômicas na região amazônica. Muitos produtos originários da Amazônia e vendidos em São Paulo, especialmente carne, soja e madeira, não têm garantia de origem e vêm de áreas onde ocorre desrespeito à legislação ambiental e trabalhista. Mais de 80% da madeira vendida no Brasil, por exemplo, sai de áreas de desmatamento.

Ao apresentar a pesquisa durante o seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo-Amazônia”, realizado em São Paulo em outubro de 2008, Leonardo Sakamoto, da Repórter Brasil, destacou a responsabilidade das empresas que adquirem produtos de fornecedores ilegais. Entretanto, ressaltou a necessidade de o consumidor ter mais informações sobre a origem dos bens e serviços que compra, além da consciência dos impactos desses produtos e serviços. “O ato de comprar algo é político, pois você está comprando a forma como aquilo foi produzido”, avaliou.

Outro estudo — “A Pecuária e o Desmatamento na Amazônia na Era das Mudanças Climáticas” —, recém-divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostra que o avanço da pecuária é o principal fator da derrubada da floresta nos últimos anos. Desde 2004, o Brasil é o maior exportador mundial de carne. O rebanho bovino brasileiro chega hoje a 207 milhões de cabeças, e foi na região amazônica que ocorreu a maior expansão dos pastos. Entre 1990 e 2005, a pecuária ocupou entre 75% e 81% do total desmatado. Um dado é particularmente revelador: o índice de desmatamento sobe e desce conforme aumenta ou cai o preço da carne.

Essa relação entre a destruição da Amazônia e o mercado levou à criação de pactos empresariais para o controle da cadeia produtiva da carne, da madeira e da soja. Lançados também durante o seminário “Conexões Sustentáveis”, os pactos prevêem que as empresas e instituições signatárias financiem, distribuam ou comercializem apenas produtos certificados ou que comprovadamente sejam adquiridos de fornecedores que não estejam envolvidos com trabalho escravo nem tenham pendências legais com órgãos de fiscalização ambiental. Além disso, é responsabilidade dos signatários fazer campanhas de esclarecimento sobre a legalidade desses produtos a seus consumidores e fornecedores. O Instituto Akatu é signatário dos três pactos, além de membro do Comitê de Acompanhamento dos mesmos.

Portanto, ao comprar carne, soja e madeira, o consumidor é o elo final de uma cadeia produtiva que pode ser ancorada nas boas práticas sociais e ambientais. Procurando obter das empresas informações sobre a origem dos produtos, e optando por aqueles que comprovadamente não venham de fornecedores que estão na ilegalidade nem contribuem para a derrubada da floresta, o consumidor colabora para a preservação da Amazônia e para que o Brasil reduza cada vez mais suas emissões de gases de efeito estufa. E o consumidor brasileiro está preparado para fazer isso: segundo a pesquisa “Como e por que os brasileiros praticam o consumo consciente?”, divulgada pelo Instituto Akatu em 2007, um em cada três brasileiros percebe os impactos coletivos ou de longo prazo nas decisões de consumo. E 43% dos consumidores usam seu poder de compra para premiar empresas que tenham práticas adequadas de responsabilidade social e ambiental.

Em relação à redução de emissão de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, o consumidor também pode contribuir com ações cotidianas. Pode, por exemplo, reduzir sempre que possível o uso de combustíveis fósseis, seja a gasolina do automóvel ou o gás da cozinha e do aquecimento do banho. A dica também é válida para o chuveiro elétrico — ou qualquer equipamento que funcione com eletricidade. Embora a energia elétrica no Brasil seja produzida basicamente por usinas hidrelétricas, as mesmas emitem gases de efeito estufa, e, além disso, o governo federal tem planos de construir usinas termoelétricas a gás (um combustível fóssil) para atender o crescente consumo.

Fonte: Instituto Akatu

Adicionar comentário 11 de Fevereiro de 2009 às 09:56 admin

Seguro desemprego terá ajuste de 12%

Assim como o salário mínimo, reajustado a partir do dia primeiro de fevereiro passando de R$ 415 para R$ 465, o seguro desemprego também terá aumento, informa o Diário Oficial da União de hoje. De acordo com a norma do Ministério do Trabalho e Emprego publicada, haverá aumento fixo de 12,048% na aplicação do benefício. Assim, em 2009, o valor médio do seguro desemprego será de R$ 564,40.

Segundo a Resolução n.º 587, cada faixa salarial terá um valor básico diferenciado.De acordo com o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que falou sobre o tema na última sexta-feira (30), o seguro desemprego tem seu valor atrelado ao aumento do salário mínimo, e as medidas referentes ao seguro emprego terão caráter geral, mas atenderão a especificidades de cada setor.As informações são da Agência Brasil. (InvestNews)

Fonte: Diário Online

Adicionar comentário 2 de Fevereiro de 2009 às 11:45 admin

Novo salário deve injetar R$ 750 milhões na economia paraense

A partir deste domingo (1º) entra em vigor o novo salário mínimo, que passa de R$ 415 para R$ 465, o que representa um um reajuste de 12,05%. Mas o impacto da mudança no bolso do trabalhador só acontecerá em março, quando trabalhadores da ativa e aposentados receberão os salários e benefícios referentes ao mês de fevereiro.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), com o novo valor de R$ 465, o mínimo apresenta um ganho real de cerca de 6%, o maior desde de 2006, quando o aumento foi de 13,04%. Em 2008 o salário sofreu aumento de 9,21%. A inflação foi de 4,98% e o ganho real foi de 4%.

Na região Norte, o investimento na economia será de R$ 1,4 bilhão, segundo estimativas do Dieese. Deste total de recursos, pouco mais da metade (cerca de R$ 750 milhões) devem ser injetados na economia paraense nos próximos 12 meses, uma média de R$ 62,5 milhões ao mês. ‘Uma quantidade expressiva destes valores deverão ser direcionados para o consumo’, avalia Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese.

Pesquisas do Dieese mostram que, das 3,1 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 1,1 milhão recebem como remuneração máxima um salário mínimo. Deste total, a maioria é de homens, cerca de 613 mil pessoas. Com a elevação do salário mínimo, o ganho real acumulado no período de abril de 2002 até fevereiro de 2009 deve alcançar cerca de 45%. No mesmo período, nominalmente, o salário mínimo teve um reajuste de 132% contra uma inflação de cerca de 60% (INPC/IBGE). ‘Mesmo assim o consumidor ainda continua comprando pouca coisa’, afirmou Sena.

Em dezembro de 2008 a cesta básica dos paraenses custava R$ 199,05 e comprometeu cerca de 52% do salário mínimo atual (R$ 415). ‘Com o novo valor, o impacto deverá diminuir um pouco, mas não o bastante para que o mínimo atenda os preceitos constitucionais, onde o trabalhador pudesse ter o direito a habitação, vestuário, transporte, educação, alimentação, lazer, etc’, lamentou Sena. Segundo cálculos do Dieese, este salário constitucional deveria ser R$ 2.141.

Novo salário - O acordo fechado entre as Centrais Sindicais, com apoio técnico do Dieese e Governo Federal, mudou as datas de reajustes do salário mínimo, que nos últimos anos oscilou entre maio e abril. Pelo acordo, em 2009, o mínimo será reajustado a partir de 1º de fevereiro e em 2010, a partir de 1º de janeiro.

A base para o reajuste também foi acordada entre o Governo e as Centrais Sindicais desde o ano passado. Os reajustes do salário mínimo levaram em conta sempre a variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos passados, mais a inflação acumulada dos últimos 12 meses. O PIB do ano de 2007 ficou em torno de 5,70% e a variação estimada da inflação do período de março de 2008 a janeiro de 2009 está estimada em torno de 6%.

Redação Portal ORM

Adicionar comentário às 11:34 admin


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