Arquivo de 19 de Setembro de 2008

‘Alta tecnologia’ indígena ajuda a manter diversidade agrícola

SALVADOR - É claro que as tribos indígenas do Xingu nunca ouviram falar em engenharia genética, mas os métodos tradicionais de plantio empregados por eles equivalem a um experimento evolutivo dos mais interessantes, que pode acabar preservando características e variedades valiosas de lavouras como o amendoim e a mandioca. A conclusão vem de um estudo feito por um agrônomo da Embrapa, que há anos visita as tribos da região.

Xingua - Xingu

“Há uma correlação direta entre a diversidade cultural dessas comunidades e a diversidade genética dos cultivares delas”, diz Fábio de Oliveira Freitas, que apresentou os resultados de seu trabalho durante o 54. Congresso Brasileiro de Genética, que acontece até esta sexta (19) em Salvador. “Por isso, se a gente perder essa diversidade cultural, os recursos genéticos desses plantios também podem se perder.”

Um exemplo direto desse elo estreito entre a cultura indígena e a variabilidade de sua lavoura foi flagrado por Freitas numa aldeia da tribo yawalapiti, uma das 17 etnias que habitam o Parque Indígena do Xingu. Intrigado ao notar estranhas estruturas circulares na lavoura de mandioca de um dos moradores da aldeia, o agrônomo da Embrapa foi informado pelo índio de que aquela era a “Casa do Kukurro”, uma oferenda feita às lagartas normalmente encontradas na plantação, as quais são vistas como espíritos protetores da mandioca.

Mistureba - “Normalmente, os índios separam as variedades de mandioca nos canteiros, mas na Casa do Kukurro todas são plantados juntas, chegando a haver até 15 variedades misturadas”, conta o pesquisador. E aí é que vem o pulo do gato: ao crescer, as plantas oriundas desse plantio conjunto florescem e podem fecundar umas às outras. “Você tem um ambiente de recombinação genética intensa”, diz Freitas.

Embora a maioria dos outros pés de mandioca seja replantado por meio das ramas, sem cruzamento, o agricultor indígena tem paciência suficiente para esperar que as plantas da Casa do Kukurro cheguem até os dois ou três anos de idade, quando finalmente começam a produzir tubérculos. Com isso, a lavoura torna-se uma usina de novas variedades de mandioca, que são avaliadas pelos índios e, se tiverem características interessantes, ganham um novo nome e são incorporadas ao plantio generalizado na aldeia.

O manejo do amendoim, desta vez realizado pela tribo dos kayabi, povo que fala um idioma do tronco lingüístico tupi, é outro exemplo da diversidade genética estimulada pelo manejo indígena. A etnia possui lavouras de amendoim de todos os tamanhos e cores, e usa técnicas simples, porém eficazes, para garantir que as variedades mantenham suas características ao longo das gerações. Uma delas consiste em separar os canteiros de cada tipo de amendoim com fileiras de mandioca, diminuindo a chance de que haja troca de material genético entre eles.

Além disso, na época da colheita, os lavradores da tribo só usam para o replantio o amendoim que continua grudado aos caules e “vagens”; os frutos que caem ao chão podem ser recolhidos e usados para a alimentação, mas nunca replantados. “Com isso, para a geração seguinte, acabam sendo selecionadas as plantas de frutos mais ‘firmes’, ao contrário da situação natural, onde seria interessante para a planta liberar as sementes no solo”, diz o pesquisador.

Potencial inexplorado - O resultado de milhares de anos dessa prática é a presença de uma variedade muito grande dos cultivares tradicionais indígenas – uma diversidade muito superior à dos plantios comerciais envolvendo as mesmas espécies. “Eu não tenho dúvidas de que essas variedades guardam um potencial muito grande para o melhoramento genético comercial. No caso do amendoim, por exemplo, há algumas formas aparentemente muito resistentes à seca. Também há variedades de banana resistentes à sigatoka-negra [principal doença a ameaçar os bananais atualmente]”, diz Freitas.

Dadas essas características, seria um bocado interessante trazer a diversidade genética das variedades indígenas para os cultivos comerciais por meio de cruzamentos ou até da criação de transgênicos. Uma das grandes dificuldades, lembra o pesquisador, é a fluidez do conhecimento e da transmissão de variedades entre os próprios índios: embora a legislação preveja que os donos do conhecimento tradicional devam ser recompensados financeiramente pelo uso comercial dele, é muito difícil saber que etnia é “dona” original de determinada variedade. (G1)

Fonte: Diário do Pará

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XII Feira Pan-Amazônica do Livro

No período de 19 a 28 de setembro de 2008, no Hangar, a Feira Pan-Amazônica do Livro alcançará a sua décima segunda edição.

Realizada anualmente pelo Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, a Feira Pan-Amazônica já se encontra no ranking das maiores Feiras do Brasil. Além da mostra e difusão da produção literária regional e nacional, a programação do evento reunirá também música, cinema, teatro e artes plásticas em um momento de celebração cultural.

A Feira Pan-Amazônica recebe todos os anos um grande público composto de leitores, principalmente de jovens estudantes, além de convidados renomados e editoras reconhecidas no mercado.

O evento conseguiu se transformar num grande acontecimento de cultura, lazer, curiosidades e entretenimento, consolidando suas conquistas e promovendo, cada vez mais, o incentivo e a difusão do hábito de ler, estimando um público de mais de 300 mil visitantes e uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 10 milhões. Tal agenda de atrações procura também fazer uma ponte entre cultura e educação, possibilitando aos alunos da rede pública de ensino o contato com as produções literárias regional, nacionais e universais.

Primeira grande programação literária da região Norte, a Feira tem sido palco para divulgar e abalizar a obra de novos e tradicionais valores da arte escrita Pan-amazônica. A cada ano, a Feira amplia sua participação social e solidária como difusora do hábito da leitura entre crianças, adolescentes e adultos, cumprindo, assim, um de seus objetivos principais que é a facilitação do acesso da população ao livro, ampliando os horizontes e redimensionando as perspectivas do jovem paraense.

Em 2008, o evento trará o JAPÃO como país homenageado.

Fonte: XII Feira Pan-Amazônica do Livro

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Internet chega a 20% das casas, mas vê ‘buraco negro’ no Norte e Nordeste

SÃO PAULO - Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados nesta quinta-feira (18) pelo IBGE, indicam que o país superou o índice de 20% de residências com acesso à internet.

Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, o índice não chega a 10%. Apenas 8,2% das casas no Norte, e 8,8% no Nordeste, possuem acesso à rede mundial de computadores.

De acordo com a Pnad, pouco mais de 11,3 milhões de moradias brasileiras, ou 20,2% do total, têm computadores ligados à web. O número é quase três vezes maior do que o resultado constatado em 2001, de 4 milhões. Na pesquisa anterior, com dados de 2006, eram 16,9% as residências ligadas à rede.

A região mais privilegiada neste quesito do Pnad é a Sudeste, onde está mais da metade das casas brasileiras com computador - 8,7 milhões, de um total de 15 milhões.

Enquanto 34% das residências nos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo possuem computador, 27,4% possuem acesso à internet. O Sul, com 24%, e o Centro-Oeste, com 18,4%, vêm a seguir.

A unidade da Federação mais “plugada” é o Distrito Federal, onde quase uma a cada duas casas possuem computador. São 48,8%, mas os dados separados por estado não indicam qual a porcentagem destes computadores que estão ligados à rede.

Em São Paulo, 39,5% das casas têm microcomputadores. No Maranhão, pior estado neste quesito do Pnad, o índice é de apenas 8%. (G1)

Fonte: Diário do Pará

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