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Viva o fim do Los Hermanos!

17 de Setembro de 2008 às 12:50 admin  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 75

Depois de o líder da antiga banda, Marcelo Camelo, lançar disco solo, chegou a vez de Rodrigo Amarante provar que o fim do Los Hermanos não foi tão ruim assim.
Rafael Pereira
No começo, parecia notícia ruim. A mais inovadora banda de rock do país desmanchou, no auge, a irmandade de dez anos e seus integrantes partiram para tocar seus projetos pessoais. A festa de despedida do Los Hermanos, que eles insistiam em chamar de “até logo”, foi uma das mais impressionantes demonstrações de amor do público pelo trabalho de um artista. A seqüência de três shows concluída em 10 de junho de 2007 na arena da Fundição Progresso, a mais charmosa do Rio, teve casa cheia com cinco mil pessoas todos os dias, e todo mundo cantando e pulando como se fosse uma pessoa só. E chorando também. Mas não com a histeria pré-adolescente de fãs do NX Zero. Não são fãs que choram sempre. Foi um misto de êxtase e decepção.

Hoje, um ano e três meses depois, é quase unanimidade pensar que o fim, ou recesso, foi uma boa nova. Mesmo entre os seguidores mais ardorosos da banda. E os grandes responsáveis por isso são os cérebros do grupo, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante – Rodrigo Barba e Bruno Medina também dão seus passinhos, mas menos inspirados.

Setembro de 2008 chegou com o registro dos shows de despedida em um emocionante DVD. Quase concomitantemente, Marcelo Camelo, vocalista e compositor da banda, divulgou em seu site dez faixas de seu álbum solo Sou, uma corruptela da palavra “nós” ao contrário e de ponta-cabeça. O trabalho mostra o quanto os caminhos de sua música não cabiam mais no formato guitarra/baixo/bateria/teclado de sua banda. Os maiores exemplos disso são a bela marchinha “Copacabana”, digna de um bloco de Carnaval do começo do século passado, e “Liberdade”, um xote executado em parceria com Dominguinhos.

A novidade da vez, porém, é a divulgação das primeiras três músicas da banda Little Joy, do “hermano” Rodrigo Amarante com o baterista da banda Strokes, Fabrizio Moretti, e a namorada de Moretti, a bela Binki Shapiro. Os três foram produzidos pelo parceiro do neo-hippie Devendra Banhart, Noah Georgeson, e o som aprofundou-se pelo rock alternativo com inspiração setentista. A voz arrastada de Amarante em inglês ficou estranhamente parecida com a do vocalista do Strokes, Julian Casablancas, o que pode prejudicar o trabalho na mão dos críticos mais ácidos. Mas as músicas são uma surpresa boa, principalmente “No one’s better sake”, com leveza e balanço quase jamaicanos. A banda sai em turnê no dia 24 deste mês e o disco completo, com onze faixas, está previsto para o começo de novembro.

Camelo e Amarante dão a sensação de que o leque musical do Los Hermanos se abriu. E, se a banda nunca mais voltar, terá, além de um belo repertório para ser ouvido sempre, o mérito de ser a referência de dois grandes artistas. Se for assim, que continuem separados por muito tempo.

Fonte: Globo

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