Arquivo de 17 de Setembro de 2008

O fim do silêncio sobre Isabella

Quem conversa com Renata Pontes fora do expediente esquece que ela é uma delegada de polícia. A menos que a conversa seja sobre o caso que a tornou conhecida em todo o país – a morte da menina Isabella. A delegada que comandou as investigações e pôs os acusados na cadeia, à espera de julgamento, tem uma fala tranqüila, uma certa docilidade. Reza todos os dias na capela da delegacia. Seu hobby é a pintura. Renata é uma pessoa serena como as paisagens que pinta. Mas, quando é preciso, pega em armas. Na Academia de Polícia, onde se formou há 11 anos, foi além do curso obrigatório de tiro: aprendeu a manejar a pistola calibre 45 que usa no trabalho – e metralhadoras.

Em serviço, a delegada não usa a clássica combinação de calça e tailleur. Prefere roupas mais confortáveis, sempre discretas – na terça-feira passada, vestia bata e calça legging, calçando sandálias de salto Anabela. Deixa à mão um sapato baixo, para suas saídas. Nos atendimentos do plantão, nas delegacias em que trabalhou, entrou em favela, pulou muro, andou em trilho de trem e picada no meio do mato. Enquanto trabalha, ela se concentra, procura manter um olhar técnico sobre o que investiga. No caso Isabella, Renata não resistiu. Chegava em casa angustiada, pensando “na mãe que não pode mais beijar sua filha”.

Na 9ª Delegacia, no Carandiru, zona norte de São Paulo, Renata é delegada-assistente. Em sua sala há uma boa mesa com poltrona de encosto alto, ar-condicionado e frigobar. A um canto, em pedestais, bandeiras do Brasil, de São Paulo e da Polícia Civil. No ano passado, a delegacia foi premiada por uma ONG holandesa. Às vezes, quando um colega do plantão sai em férias, Renata assume o lugar dele. Foi durante um plantão, das 20 horas às 8 da manhã, que o caso da menina Isabella chegou a sua mesa.

Num primeiro momento, a delegada falou com os jornalistas sobre o crime. Depois, decretou o sigilo do inquérito e não deu mais entrevistas. Só rompeu o silêncio na semana passada, ao receber ÉPOCA no elegante flat em que mora, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. A entrevista durou três horas. Foi à beira do jardim, numa mesa externa do restaurante do flat. Pela primeira vez, Renata contou os detalhes de como conduziu a investigação e apresentou todas as razões que a levaram a acusar o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a madrasta da menina, Anna Carolina Jatobá, como autores do assassinato que chocou o país.

A VÍTIMA
Isabella Nardoni, assassinada aos 5 anos. O pai e a madrasta continuam presosEnquanto investigava a morte da menina, Renata lembrou outro crime de grande repercussão, que ela também atendeu. Estava de plantão na Divisão de Homicídios, em 2002, quando uma informação chegou: o empresário Manfred von Richthofen e sua mulher, Marísia, tinham sido mortos a pauladas enquanto dormiam, numa casa de classe média alta no Brooklin. Antes de ir à delegacia, a jovem filha do casal se dera ao trabalho de examinar o escritório do pai, na casa, e de constatar que um exato valor em dólares sumira. (O caso depois passaria para a equipe da região.) Renata estranhou a falta de sensibilidade da moça – que seria condenada, com o namorado e o irmão dele, pelo assassinato dos pais.

No caso Isabella, a sensação se repetiu. Em sua entrevista a ÉPOCA, Renata lembrou a longa conversa que teve com o casal Anna e Alexandre, nas primeiras horas da investigação. Apesar de ter notado que Anna era falante e articulada enquanto Alexandre era bem menos eloqüente, Renata notou uma incomum tranqüilidade nos dois, “a ponto de o Alexandre comentar ‘Olha, eu vou sair na Rede Globo’”. Alexandre e Anna, segundo Renata, não se emocionavam nem se preocupavam em saber o que acontecera. O discurso de ambos era o mesmo. Não tinham perguntas, mas respostas. “Eles não questionavam. Vinham com uma certeza, uma afirmação: ‘O que aconteceu foi isto’. Em momento algum perguntaram ‘por que alguém jogou a minha filha?’” Diziam que um ladrão entrara no apartamento deles, com uma cópia da chave. “Falavam ‘o ladrão chegou, o ladrão cortou a tela’, usavam a palavra ‘ladrão’”. O “ladrão” teria esperado até Alexandre chegar, com a menina dormindo, e deixá-la em sua cama. O pai teria então voltado ao carro, na garagem, para pegar os dois outros filhos pequenos e Anna. Nesse meio-tempo, o “ladrão” teria esganado Isabella, apertando-lhe o pescoço, e teria jogado a menina pela janela. E ainda teria trancado a porta ao sair. Por quê?
A pergunta atormentaria Renata durante os dias seguintes. “Eu estava analisando tudo, para começar a confirmar ou descartar fatos”, diz Renata. Ela chegara à 9ª Delegacia às 20 horas do sábado. Com a morte da menina, só daria o plantão por encerrado às 3 horas da madrugada da segunda-feira. Foi para casa com uma forte suspeita: Alexandre e Anna eram os autores do crime. “Forte suspeita, mas aberta a todas as possibilidades. Porque, afinal, estávamos no começo de uma investigação. Muita gente precisava ser ouvida, haveria o resultado das perícias. Nada era descartável”.

Fonte: Globo

Adicionar comentário 17 de Setembro de 2008 às 13:32 admin

Brasil bate recorde de medalhas em Pequim

No penúltimo dia dos Jogos de Pequim, a delegação verde-amarela fez história. Com os ouros conquistados por Terezinha Guilhermina e Lucas Prado no atletismo, o Brasil bateu o recorde de medalhas douradas conquistadas em uma única edição das Paraolimpíadas: 15. E a coleção ainda pode aumentar na despedida da competição, já que a equipe brasuca de futebol de cinco se classificou para a decisão contra a China.

Despedida de gala
Favorita ao ouro nos 100m rasos, Terezinha Guilhermino não conseguiu superar a chinesa Chunmiao Wu na final da prova. Nesta terça-feira, a atleta sentiu o gostinho da vingança: desbancou a rival e garantiu a medalha dourada nos 200m. Tão emocionado quanto ela, estava o seu guia, Chocolate, que exaltou a superação dos dois na caminhada rumo ao lugar mais alto do pódio.

Mas as fortes emoções ainda estavam longe do fim para o atletismo brasileiro. Um dia depois da desclassificação da equipe verde-amarela no revezamento 4x100m T11-T13, fato que gerou revolta no Comitê Paraolímpico Brasileiro, o país se redimiu. O time formado por André Luiz Oliveira, Yohansson Nascimento, Claudemir Santos e Alan Oliveira surpreendeu ao conquistar a prata no 4x100m T42-T46 . Com uma arrancada no final, só terminou atrás dos americanos, que levaram o ouro e o novo recorde mundial da prova.

E, para fechar com chave de ouro, nada melhor do que um novo show de um dos grandes nomes do Brasil nestes Jogos. Campeão nos 100m e nos 200m rasos, Lucas Prado escreveu seu nome na história ao garantir seu terceiro ouro, desta vez nos 400m, e levar o país a ouvir seu hino pela 15ª vez no pódio de Pequim.

Futebol de sete
O time brasileiro de futebol de sete também sonhava sair de Pequim com um lugar no pódio, mas foi atropelado por um furacão chamado Abdolreza Karimzadeh. O iraniano marcou três gols e ajudou sua seleção a vencer a equipe verde-amarela por 4 a 0. Assim, o sonho brasuca de superar a prata conquistada em Atenas fica adiado por mais quatro anos, para Londres-2012.

Basquete
A seleção brasileira de basquete para cadeirantes recuperou o bom basquete que apresentou no primeiro jogo das Paraolimpíadas e venceu a disputa pelo 9º lugar contra a África do Sul por 68 a 46. Como o Irã foi desqualificado da competição por ter se recusado a entrar em quadra para enfrentar os EUA pelas quartas-de-final, o Brasil ficou em oitavo lugar na classificação geral, o melhor desempenho do país na história da modalidade.

Fonte: Globo

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Viva o fim do Los Hermanos!

Depois de o líder da antiga banda, Marcelo Camelo, lançar disco solo, chegou a vez de Rodrigo Amarante provar que o fim do Los Hermanos não foi tão ruim assim.
Rafael Pereira
No começo, parecia notícia ruim. A mais inovadora banda de rock do país desmanchou, no auge, a irmandade de dez anos e seus integrantes partiram para tocar seus projetos pessoais. A festa de despedida do Los Hermanos, que eles insistiam em chamar de “até logo”, foi uma das mais impressionantes demonstrações de amor do público pelo trabalho de um artista. A seqüência de três shows concluída em 10 de junho de 2007 na arena da Fundição Progresso, a mais charmosa do Rio, teve casa cheia com cinco mil pessoas todos os dias, e todo mundo cantando e pulando como se fosse uma pessoa só. E chorando também. Mas não com a histeria pré-adolescente de fãs do NX Zero. Não são fãs que choram sempre. Foi um misto de êxtase e decepção.

Hoje, um ano e três meses depois, é quase unanimidade pensar que o fim, ou recesso, foi uma boa nova. Mesmo entre os seguidores mais ardorosos da banda. E os grandes responsáveis por isso são os cérebros do grupo, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante – Rodrigo Barba e Bruno Medina também dão seus passinhos, mas menos inspirados.

Setembro de 2008 chegou com o registro dos shows de despedida em um emocionante DVD. Quase concomitantemente, Marcelo Camelo, vocalista e compositor da banda, divulgou em seu site dez faixas de seu álbum solo Sou, uma corruptela da palavra “nós” ao contrário e de ponta-cabeça. O trabalho mostra o quanto os caminhos de sua música não cabiam mais no formato guitarra/baixo/bateria/teclado de sua banda. Os maiores exemplos disso são a bela marchinha “Copacabana”, digna de um bloco de Carnaval do começo do século passado, e “Liberdade”, um xote executado em parceria com Dominguinhos.

A novidade da vez, porém, é a divulgação das primeiras três músicas da banda Little Joy, do “hermano” Rodrigo Amarante com o baterista da banda Strokes, Fabrizio Moretti, e a namorada de Moretti, a bela Binki Shapiro. Os três foram produzidos pelo parceiro do neo-hippie Devendra Banhart, Noah Georgeson, e o som aprofundou-se pelo rock alternativo com inspiração setentista. A voz arrastada de Amarante em inglês ficou estranhamente parecida com a do vocalista do Strokes, Julian Casablancas, o que pode prejudicar o trabalho na mão dos críticos mais ácidos. Mas as músicas são uma surpresa boa, principalmente “No one’s better sake”, com leveza e balanço quase jamaicanos. A banda sai em turnê no dia 24 deste mês e o disco completo, com onze faixas, está previsto para o começo de novembro.

Camelo e Amarante dão a sensação de que o leque musical do Los Hermanos se abriu. E, se a banda nunca mais voltar, terá, além de um belo repertório para ser ouvido sempre, o mérito de ser a referência de dois grandes artistas. Se for assim, que continuem separados por muito tempo.

Fonte: Globo

Adicionar comentário às 12:50 admin


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