Arquivo de Setembro de 2008

Emprego voltou a crescer em Belém

BELÉM (PA) - O Dieese-PA divulgou, nesta quinta-feira (25), o balanço do emprego formal na Região Metropolitana de Belém (RMB). As análises feitas com base em dados do Ministério do Trabalho mostram que, na relação entre admitidos e desligados, em agosto, o emprego formal apresentou crescimento de 4%, com saldo positivo de cerca de 9.400 postos de trabalho.

O crescimento foi visto em quase todos os setores econômicos da RMB.

A construção civil foi o setor que mais gerou empregos, teve 3,16% de contratações com um saldo 557 novos postos de trabalhos, seguido do setor de serviços com crescimento de 0,92% e saldo positivo de 1.173 postos de trabalhos. No comércio o crescimento foi de 0,60% (445 postos), na indústria de transformação o aumento foi de 0,08% e saldo positivo de 24 postos de trabalhos, e a administração pública apresentou alta de 0,05% e saldo positivo de dois postos de trabalhos.

As perdas ficaram com a indústria e utilidade pública e agropecuária, com decrescimento de 0,15% e 1,53%, apresentando saldo negativo de seis e 75 postos de trabalho, respectivamente.

Emprego no Brasil – Das nove regiões metropolitanas pesquisadas pelo Ministério do Trabalho, nos últimos 12 meses, os principais destaques de crescimento de empregos formais foram Belo Horizonte (com um saldo positivo de 103.220 postos de trabalhos), São Paulo (com aumento de 423.100 postos de trabalhos) e Curitiba (que teve saldo de 61.774 novas contratações). (Da redação/Informações Dieese-PA)

Fonte: Diário do Pará

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Irritado, pássaro aprende a miar para calar papagaios barulhentos

Um mainá que vive em Nanjing, na China, conseguiu acabar com a conversa barulhenta de dois papagaios aprendendo a miar.

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O pássaro –que, como os papagaios, tem facilidade para imitar sons– foi comprado por um senhor que o ensinou a falar, segundo o jornal “Yangtse Evening Post”.

Logo depois, o dono adquiriu dois papagaios e os colocou perto da gaiola do mainá. Muito tagarela, a dupla verde passou a irritar o pássaro.

“Ele começou a pular freneticamente na gaiola depois que os papagaios chegaram”, afirmou o sr. Jiang ao jornal. “O mainá então percebeu que os dois ficavam quietos quando um gato da vizinhança vinha aqui e miava”, continuou o chinês.

Dias depois, ele notou que a ave passou a miar e os papagaios se acalmavam. Agora, quando os dois começam a fazer barulho, o pássaro imita o som do gato e a dupla se cala imediatamente.

“Parece até que ele desaprendeu todo o chinês que eu ensinei”, disse o dono.

Fonte: Folha

Adicionar comentário 24 de Setembro de 2008 às 09:19 admin

Uso de garrafões plásticos na venda de água mineral tem regras definidas

O Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia disciplinou o uso de embalagens de plástico retornáveis para a comercialização de água mineral.

De acordo com a Portaria n.º 387, publicada na edição desta terça-feira (23) do Diário Oficial da União,os vasilhames devem ser fabricados com resina virgem ou outro material aceitável para contato com alimentos, que atendam s especificações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A norma prevê o reenvase de vasilhames plásticos retornáveis exclusivamente em volumes de capacidade nominal de dez ou 20 litros. Além disso, as embalagens devem ter no fundo a data limite de três anos de validade.

As empresas terão o prazo de um ano para se adequar, devendo então passar a adquirir garrafões de plástico retornáveis devidamente certificados.

O descumprimento das obrigações instituídas nesta portaria acarretará ao infrator as penalidades previstas no Código de Águas Minerais (AE)

Fonte: Diário do Pará

Adicionar comentário 23 de Setembro de 2008 às 15:49 admin

Aprovado projeto de lei que garante assistência técnica gratuita a famílias de baixa renda

BRASÍLIA - A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) aprovou o Projeto de Lei da Câmara (13/08) que assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social. A proposta, de autoria do deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), será agora examinada pelo Plenário da Casa e, se aprovada sem alterações, seguirá para a sanção presidencial.

O presidente da Federação Nacional dos Arquitetos (FNA), Ângelo Arruda, lembra que o projeto, se transformado em lei, vai legitimar o que já tem sido feito hoje, de forma voluntária, por profissionais que se dedicam a orientar a população de baixa renda. “Com a criação de fundos para remunerar esses profissionais, serão gerados de 10 a 15 mil novos postos de serviço”, afirmou Ângelo.

Para ele, o papel do Sistema Confea/Crea será o de promover a divulgação do projeto nos Estados e contribuir, por exemplo, regulamentando a gratuidade da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para projetos sociais. Segundo Ângelo Arruda, estima-se que o déficit habitacional seja de 7 milhões de residências e, nesse universo, cerca de 700 mil famílias dependam de assistência técnica imediata.

Para o presidente da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), Carlos Roberto Bittencourt, essa antiga reivindicação do Sistema é um ganho para a sociedade, em primeiro lugar, principalmente no que se refere à qualidade e à segurança das habitações e, indiretamente, é um ganho para os engenheiros, arquitetos e agrônomos. “A engenharia poderá ser mais valorizada”, afirmou Bittencourt. Já o presidente da Federação Nacional de Engenheiros, Murilo Celso de Campos Pinheiro, a iniciativa permite que a áreatecnológica dê uma maior contribuição à sociedade. “Sem dúvida, a aprovação deste Projeto de Lei representará um marco na área da engenharia nacional”, afirmou.

O assessor parlamentar do Confea, Pinheiro Marques, ressaltou o intenso trabalho feito pelas lideranças do Sistema Confea/Crea e pelas entidades ligadas ao Sistema, para debater a questão da assistência técnica gratuita. Ele lembrou, por exemplo, o mutirão que levou as lideranças ao Congresso Nacional, em fevereiro de 2008, para debater com os parlamentares a Agenda Parlamentar Prioritária, em que o projeto de assistência técnica gratuita era um dos destaques.

De acordo com o presidente do Confea, eng. civil Marcos Túlio de Malo, o projeto representa uma forma de valorização dos profissionais registrados no Sistema. “Será uma oportunidade de mostrar para a sociedade o quanto representa a engenharia para o desenvolvimento e a organização das cidades e para a preservação do meio ambiente”, afirmou Túlio de Melo. “Essa é mais uma prova de que o Sistema Profissional pode ir além das fronteiras da fiscalização do exercício profissional”, acrescentou. (COMUS/ Confea)

Fonte
: Diário do Pará

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Lei prevê tamanho mínimo para letras de contrato

Os contratos de adesão a partir de hoje (23) terão que ter letras com tamanho mínimo 12, além de termos claros e com caracteres legíveis. A finalidade é facilitar a compreensão do consumidor.

A Lei n.º 11.785, que prevê a medida, está publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União. A norma altera o inciso terceiro do Artigo 54 do Código de Defesa do Consumidor, que passa ter tal obrigatoriedade. (Agência Estado)

Fonte: Diário do Pará

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Emprego formal registra alta de 4% em oito meses em Belém

O balanço efetuado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, no Pará) sobre a flutuação dos postos de trabalho no setor formal da economia em Belém, no mês de agosto de 2008, mostra saldo positivo de 0,76% em relação ao mesmo período do ano passado.

A pesquisa é realizada com base em dados do Ministério do Trabalho e compara o número de admitidos e desligados. Em agosto deste ano, foram feitas 8.046 admissões contra 6.487 desligamentos, gerando um saldo positivo de 1.559 postos de trabalho.

A maioria dos setores apresentou crescimento. O melhor resultado ficou por conta da construção civil, com aumento de 2,95% e saldo positivo de 388 postos de trabalho. Em seguida estão: setor da indústria de transformação, com crescimento de 1,07% e um saldo positivo de 189 postos de trabalho; serviços, com alta de 0,73% e saldo de 777 postos de trabalho; e comércio, com crescimento de 0,46% e um saldo positivo de 266 postos de trabalho.

Entre os setores que registram queda no número de empregos formais estão: agropecuária, com um decréscimo de 1,55% e um saldo negativo de 51 postos de trabalho; serviços da indústria e utilidade pública, com redução de 0,26% e um saldo negativo de 10 postos de trabalho; e administração pública, com um decréscimo de 0,07% e um saldo negativo de um posto de trabalho.

Janeiro a agosto - Nos oito primeiros meses do ano, o crescimento registrado é de 4%, com 55.862 admissões contra 47.982 desligamentos, gerando um saldo positivo de 7.880 postos de trabalho. Este saldo é maior do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando o saldo foi de 4.379 postos de trabalho gerados.

Ano - Nos últimos 12 meses (setembro/2007 a agosto/2008), o aumento foi de 5,38%. No período foram feitas 81.504 admissões contra 70.836 desligamentos, gerando um saldo positivo de 10.668 postos de trabalho.

Ainda com base no balanço efetuado pelo Dieese, a maioria dos setores econômicos apresentou resultados positivos. As exceções foram: administração pública, com um decréscimo de 1,26% e a perda de 20 postos de trabalho; e o setor de indústria de transformação, com um decréscimo no emprego formal de 3,37% e a perda de 633 postos de trabalho.

No mesmo período, os setores econômicos que se destacaram na geração de emprego formal foram: construção civil, com um crescimento de 11,38% e um saldo positivo de 1.400 postos de trabalho; seguido pelo setor de serviços da indústria e utilidade pública, com um crescimento de 9,49% e um saldo positivo de 376 postos de trabalho; serviços, com um crescimento de 6,22% e um saldo positivo de 6.399 postos de trabalho; agropecuária, com alta de 5,49% e um saldo positivo de 151 postos de trabalho; e comércio, com aumento de 5,35% e um saldo positivo de 2.995 postos de trabalho.

Fonte: O Liberal

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‘Alta tecnologia’ indígena ajuda a manter diversidade agrícola

SALVADOR - É claro que as tribos indígenas do Xingu nunca ouviram falar em engenharia genética, mas os métodos tradicionais de plantio empregados por eles equivalem a um experimento evolutivo dos mais interessantes, que pode acabar preservando características e variedades valiosas de lavouras como o amendoim e a mandioca. A conclusão vem de um estudo feito por um agrônomo da Embrapa, que há anos visita as tribos da região.

Xingua - Xingu

“Há uma correlação direta entre a diversidade cultural dessas comunidades e a diversidade genética dos cultivares delas”, diz Fábio de Oliveira Freitas, que apresentou os resultados de seu trabalho durante o 54. Congresso Brasileiro de Genética, que acontece até esta sexta (19) em Salvador. “Por isso, se a gente perder essa diversidade cultural, os recursos genéticos desses plantios também podem se perder.”

Um exemplo direto desse elo estreito entre a cultura indígena e a variabilidade de sua lavoura foi flagrado por Freitas numa aldeia da tribo yawalapiti, uma das 17 etnias que habitam o Parque Indígena do Xingu. Intrigado ao notar estranhas estruturas circulares na lavoura de mandioca de um dos moradores da aldeia, o agrônomo da Embrapa foi informado pelo índio de que aquela era a “Casa do Kukurro”, uma oferenda feita às lagartas normalmente encontradas na plantação, as quais são vistas como espíritos protetores da mandioca.

Mistureba - “Normalmente, os índios separam as variedades de mandioca nos canteiros, mas na Casa do Kukurro todas são plantados juntas, chegando a haver até 15 variedades misturadas”, conta o pesquisador. E aí é que vem o pulo do gato: ao crescer, as plantas oriundas desse plantio conjunto florescem e podem fecundar umas às outras. “Você tem um ambiente de recombinação genética intensa”, diz Freitas.

Embora a maioria dos outros pés de mandioca seja replantado por meio das ramas, sem cruzamento, o agricultor indígena tem paciência suficiente para esperar que as plantas da Casa do Kukurro cheguem até os dois ou três anos de idade, quando finalmente começam a produzir tubérculos. Com isso, a lavoura torna-se uma usina de novas variedades de mandioca, que são avaliadas pelos índios e, se tiverem características interessantes, ganham um novo nome e são incorporadas ao plantio generalizado na aldeia.

O manejo do amendoim, desta vez realizado pela tribo dos kayabi, povo que fala um idioma do tronco lingüístico tupi, é outro exemplo da diversidade genética estimulada pelo manejo indígena. A etnia possui lavouras de amendoim de todos os tamanhos e cores, e usa técnicas simples, porém eficazes, para garantir que as variedades mantenham suas características ao longo das gerações. Uma delas consiste em separar os canteiros de cada tipo de amendoim com fileiras de mandioca, diminuindo a chance de que haja troca de material genético entre eles.

Além disso, na época da colheita, os lavradores da tribo só usam para o replantio o amendoim que continua grudado aos caules e “vagens”; os frutos que caem ao chão podem ser recolhidos e usados para a alimentação, mas nunca replantados. “Com isso, para a geração seguinte, acabam sendo selecionadas as plantas de frutos mais ‘firmes’, ao contrário da situação natural, onde seria interessante para a planta liberar as sementes no solo”, diz o pesquisador.

Potencial inexplorado - O resultado de milhares de anos dessa prática é a presença de uma variedade muito grande dos cultivares tradicionais indígenas – uma diversidade muito superior à dos plantios comerciais envolvendo as mesmas espécies. “Eu não tenho dúvidas de que essas variedades guardam um potencial muito grande para o melhoramento genético comercial. No caso do amendoim, por exemplo, há algumas formas aparentemente muito resistentes à seca. Também há variedades de banana resistentes à sigatoka-negra [principal doença a ameaçar os bananais atualmente]”, diz Freitas.

Dadas essas características, seria um bocado interessante trazer a diversidade genética das variedades indígenas para os cultivos comerciais por meio de cruzamentos ou até da criação de transgênicos. Uma das grandes dificuldades, lembra o pesquisador, é a fluidez do conhecimento e da transmissão de variedades entre os próprios índios: embora a legislação preveja que os donos do conhecimento tradicional devam ser recompensados financeiramente pelo uso comercial dele, é muito difícil saber que etnia é “dona” original de determinada variedade. (G1)

Fonte: Diário do Pará

Adicionar comentário 19 de Setembro de 2008 às 11:10 admin

XII Feira Pan-Amazônica do Livro

No período de 19 a 28 de setembro de 2008, no Hangar, a Feira Pan-Amazônica do Livro alcançará a sua décima segunda edição.

Realizada anualmente pelo Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, a Feira Pan-Amazônica já se encontra no ranking das maiores Feiras do Brasil. Além da mostra e difusão da produção literária regional e nacional, a programação do evento reunirá também música, cinema, teatro e artes plásticas em um momento de celebração cultural.

A Feira Pan-Amazônica recebe todos os anos um grande público composto de leitores, principalmente de jovens estudantes, além de convidados renomados e editoras reconhecidas no mercado.

O evento conseguiu se transformar num grande acontecimento de cultura, lazer, curiosidades e entretenimento, consolidando suas conquistas e promovendo, cada vez mais, o incentivo e a difusão do hábito de ler, estimando um público de mais de 300 mil visitantes e uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 10 milhões. Tal agenda de atrações procura também fazer uma ponte entre cultura e educação, possibilitando aos alunos da rede pública de ensino o contato com as produções literárias regional, nacionais e universais.

Primeira grande programação literária da região Norte, a Feira tem sido palco para divulgar e abalizar a obra de novos e tradicionais valores da arte escrita Pan-amazônica. A cada ano, a Feira amplia sua participação social e solidária como difusora do hábito da leitura entre crianças, adolescentes e adultos, cumprindo, assim, um de seus objetivos principais que é a facilitação do acesso da população ao livro, ampliando os horizontes e redimensionando as perspectivas do jovem paraense.

Em 2008, o evento trará o JAPÃO como país homenageado.

Fonte: XII Feira Pan-Amazônica do Livro

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Internet chega a 20% das casas, mas vê ‘buraco negro’ no Norte e Nordeste

SÃO PAULO - Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados nesta quinta-feira (18) pelo IBGE, indicam que o país superou o índice de 20% de residências com acesso à internet.

Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, o índice não chega a 10%. Apenas 8,2% das casas no Norte, e 8,8% no Nordeste, possuem acesso à rede mundial de computadores.

De acordo com a Pnad, pouco mais de 11,3 milhões de moradias brasileiras, ou 20,2% do total, têm computadores ligados à web. O número é quase três vezes maior do que o resultado constatado em 2001, de 4 milhões. Na pesquisa anterior, com dados de 2006, eram 16,9% as residências ligadas à rede.

A região mais privilegiada neste quesito do Pnad é a Sudeste, onde está mais da metade das casas brasileiras com computador - 8,7 milhões, de um total de 15 milhões.

Enquanto 34% das residências nos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo possuem computador, 27,4% possuem acesso à internet. O Sul, com 24%, e o Centro-Oeste, com 18,4%, vêm a seguir.

A unidade da Federação mais “plugada” é o Distrito Federal, onde quase uma a cada duas casas possuem computador. São 48,8%, mas os dados separados por estado não indicam qual a porcentagem destes computadores que estão ligados à rede.

Em São Paulo, 39,5% das casas têm microcomputadores. No Maranhão, pior estado neste quesito do Pnad, o índice é de apenas 8%. (G1)

Fonte: Diário do Pará

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O fim do silêncio sobre Isabella

Quem conversa com Renata Pontes fora do expediente esquece que ela é uma delegada de polícia. A menos que a conversa seja sobre o caso que a tornou conhecida em todo o país – a morte da menina Isabella. A delegada que comandou as investigações e pôs os acusados na cadeia, à espera de julgamento, tem uma fala tranqüila, uma certa docilidade. Reza todos os dias na capela da delegacia. Seu hobby é a pintura. Renata é uma pessoa serena como as paisagens que pinta. Mas, quando é preciso, pega em armas. Na Academia de Polícia, onde se formou há 11 anos, foi além do curso obrigatório de tiro: aprendeu a manejar a pistola calibre 45 que usa no trabalho – e metralhadoras.

Em serviço, a delegada não usa a clássica combinação de calça e tailleur. Prefere roupas mais confortáveis, sempre discretas – na terça-feira passada, vestia bata e calça legging, calçando sandálias de salto Anabela. Deixa à mão um sapato baixo, para suas saídas. Nos atendimentos do plantão, nas delegacias em que trabalhou, entrou em favela, pulou muro, andou em trilho de trem e picada no meio do mato. Enquanto trabalha, ela se concentra, procura manter um olhar técnico sobre o que investiga. No caso Isabella, Renata não resistiu. Chegava em casa angustiada, pensando “na mãe que não pode mais beijar sua filha”.

Na 9ª Delegacia, no Carandiru, zona norte de São Paulo, Renata é delegada-assistente. Em sua sala há uma boa mesa com poltrona de encosto alto, ar-condicionado e frigobar. A um canto, em pedestais, bandeiras do Brasil, de São Paulo e da Polícia Civil. No ano passado, a delegacia foi premiada por uma ONG holandesa. Às vezes, quando um colega do plantão sai em férias, Renata assume o lugar dele. Foi durante um plantão, das 20 horas às 8 da manhã, que o caso da menina Isabella chegou a sua mesa.

Num primeiro momento, a delegada falou com os jornalistas sobre o crime. Depois, decretou o sigilo do inquérito e não deu mais entrevistas. Só rompeu o silêncio na semana passada, ao receber ÉPOCA no elegante flat em que mora, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. A entrevista durou três horas. Foi à beira do jardim, numa mesa externa do restaurante do flat. Pela primeira vez, Renata contou os detalhes de como conduziu a investigação e apresentou todas as razões que a levaram a acusar o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a madrasta da menina, Anna Carolina Jatobá, como autores do assassinato que chocou o país.

A VÍTIMA
Isabella Nardoni, assassinada aos 5 anos. O pai e a madrasta continuam presosEnquanto investigava a morte da menina, Renata lembrou outro crime de grande repercussão, que ela também atendeu. Estava de plantão na Divisão de Homicídios, em 2002, quando uma informação chegou: o empresário Manfred von Richthofen e sua mulher, Marísia, tinham sido mortos a pauladas enquanto dormiam, numa casa de classe média alta no Brooklin. Antes de ir à delegacia, a jovem filha do casal se dera ao trabalho de examinar o escritório do pai, na casa, e de constatar que um exato valor em dólares sumira. (O caso depois passaria para a equipe da região.) Renata estranhou a falta de sensibilidade da moça – que seria condenada, com o namorado e o irmão dele, pelo assassinato dos pais.

No caso Isabella, a sensação se repetiu. Em sua entrevista a ÉPOCA, Renata lembrou a longa conversa que teve com o casal Anna e Alexandre, nas primeiras horas da investigação. Apesar de ter notado que Anna era falante e articulada enquanto Alexandre era bem menos eloqüente, Renata notou uma incomum tranqüilidade nos dois, “a ponto de o Alexandre comentar ‘Olha, eu vou sair na Rede Globo’”. Alexandre e Anna, segundo Renata, não se emocionavam nem se preocupavam em saber o que acontecera. O discurso de ambos era o mesmo. Não tinham perguntas, mas respostas. “Eles não questionavam. Vinham com uma certeza, uma afirmação: ‘O que aconteceu foi isto’. Em momento algum perguntaram ‘por que alguém jogou a minha filha?’” Diziam que um ladrão entrara no apartamento deles, com uma cópia da chave. “Falavam ‘o ladrão chegou, o ladrão cortou a tela’, usavam a palavra ‘ladrão’”. O “ladrão” teria esperado até Alexandre chegar, com a menina dormindo, e deixá-la em sua cama. O pai teria então voltado ao carro, na garagem, para pegar os dois outros filhos pequenos e Anna. Nesse meio-tempo, o “ladrão” teria esganado Isabella, apertando-lhe o pescoço, e teria jogado a menina pela janela. E ainda teria trancado a porta ao sair. Por quê?
A pergunta atormentaria Renata durante os dias seguintes. “Eu estava analisando tudo, para começar a confirmar ou descartar fatos”, diz Renata. Ela chegara à 9ª Delegacia às 20 horas do sábado. Com a morte da menina, só daria o plantão por encerrado às 3 horas da madrugada da segunda-feira. Foi para casa com uma forte suspeita: Alexandre e Anna eram os autores do crime. “Forte suspeita, mas aberta a todas as possibilidades. Porque, afinal, estávamos no começo de uma investigação. Muita gente precisava ser ouvida, haveria o resultado das perícias. Nada era descartável”.

Fonte: Globo

Adicionar comentário 17 de Setembro de 2008 às 13:32 admin

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