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AVÔ QUE ESPANCOU NETO JÁ ESTÁ PRESO

7 de Dezembro de 2007 às 15:04 admin  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 988

Coisas como estas infelizmente acontecem e muito hoje em dia, e deixo aqui no blog registrado isso, não apenas como informação, mas como protesto desse tipo de “ação corretiva”.
Devemos denunciar cada vez mais isso e não nos omitirmos sobre esses acontecimentos, pois isso nos tornaria cúmplices de tais atos e não quero que isso fique nas nossas consciências.

RAIMUNDO CARDOSO ADMITE QUE SE EXCEDEU AO APLICAR “CORRETIVO”

Sem aparentar nenhuma emoção, o mecânico Raimundo Carlos Cardoso, de 55 anos, o ‘Formiga’ admitiu que se excedeu ao ‘aplicar um corretivo’ no neto, uma criança de apenas seis. O que o acusado chamou de corretivo, o delegado Ildernério Pamplona, titular da Delegacia de Barcarena, e o conselheiro tutelar Almir Roberto dos Santos, avaliaram como maus-tratos e lesão corporal grave. A criança apresenta fratura em um dos braços, queimaduras das mãos, machucados nos joelhos e em várias partes do corpo, além de uma lesão do rosto que teria sido provocada quando o menino foi arremessado contra a parede. A constatação da violência fez com que o juiz da Infância e Adolescência de Barcarena, Raimundo Santana, decretasse a prisão temporária do avô do menino.

Raimundo Cardoso foi preso na noite de ontem em Vila dos Cabanos, localidade onde ocorreu à violência, quando se apresentou ao delegado Ildernério Pamplona.Populares revoltados se reuniram em frente da delegacia e chamavam o acusado de ‘monstro’. Por questões de segurança, o delegado Pamplona transferiu ‘Formiga’ para a delegacia de Barcarena.

Na manhã de hoje, o menino, que está em Barcarena sob os cuidados de uma família, será ouvido pelo delegado e pelo juiz. O delegado informou que, com a prisão temporária do acusado, terá dez dias para conduzir as investigações, mas adiantou ter fortes indícios de que a esposa de Raimunda Carlos, Maria Geni Silva Kakauchu, de 38 anos, também tem envolvimento nas sessões de espancamento sofridas pela criança. ‘Vamos identificar, por meio das investigações, o grau de participação de Geni, se ela era apenas omissa ao sofrimento da criança ou se participava diretamente da violência’, explicou o delegado.

Para Almir Roberto, conselheiro tutelar, não há dúvidas da participação de Geni nas agressões contra a criança. ‘Ele (o menino) contou que era Geni quem queimava as mãos dele e que ela costumava esquentar um facão no fogo e queimar o rosto da criança’, declarou, o conselheiro tutelar. O menino, disse o conselheiro, apresenta uma grave lesão do rosto, o que comprovaria a agressão.

Na delegacia de Barcarena, após ter sido transferido sobre os gritos de uma pequena multidão que se amontoava em frente à delegacia de Vila dos Cabanos, ‘Formiga’ disse que bateu no menino porque a criança o estava roubado. ‘Eu sei que me excedi, mas vocês não sabem o que eu passei’, se defendeu, friamente. O avô contou que o menino estava com sob a guarda provisória dele há um ano e quatro meses, tempo em que começaram a sumir coisas da casa, principalmente, dinheiro. ‘Ele chegou a roubar R$ 96,00 de uma única vez’, alegou.

Raimundo Carlos, em seu depoimento, tentou isentar a esposa, Maria Geni, de qualquer participação nos maus-tratos contra o menino. Ele chegou a afirmar que na terça-feira, dada da última surra, teria sido a esposa que intercedeu para ele parasse de bater na criança. Embora assuma a surra, o avô nega que tenha provocado fraturas na criança. Para o braço quebrado, os joelhos feridos e a lesão na cabeça, Raimundo disse que o menino se machucou sozinho, jogando bola. ‘Ele caiu jogando bola’, disse. A versão dele, no entanto, não convenceu as autoridades policiais.

Mãe cedeu a guarda por falta de condições de criar o filho

O mais insólito da história é que a criança saiu dos braços da mãe, Bruna Silva Santos, 23, e foi entregue ao algoz há cerca de um ano, exatamente porque o avô teria mais condições de criá-lo. Shirley Pessoa, a conselheira tutelar que encontrou o menino, é a mesma que vem acompanhando o caso desde 2006, e se assustou com a cena que viu.

O avô que violentou o garoto foi o mesmo que denunciou a própria filha ao conselho tutelar. ‘Há um ano, o Formiga nos procurou como denunciante de negligência por parte da mãe do garoto. Ele disse que a filha trabalhava o dia todo e que o menino ficava sozinho. Cheguei a visitar o local, e a dizer que ela tinha que mudar essa situação. Passado um certo tempo, a mãe retornou ao Conselho para pedir que o avô do menino ficasse com ele. Desempregada, ela dizia que não tinha condições de cuidar do filho, e queria que o Conselho intermediasse esse processo porque ela não se dava bem com a madrasta’, diz. ‘Tentei fazer a reconciliação, mas não tive êxito. Acabamos repassando a criança aos cuidados do avô e encaminhamos o caso ao Ministério Público, para cuidar da guarda’.

Em agosto desse ano, o Conselho foi novamente procurado pela mãe do menino, que não conseguia visitá-lo. ‘Notifiquei o seu Formiga, porque ele não pode impedir que a mãe do menino tenha acesso ao filho. Cheguei a tirar a roupa para ver se tinha marcas de agressão, mas estava tudo bem. O que me chamou a atenção é que o menino tinha restrição contra a mãe, disse que não gostava dela, que não aceitava ir com ela. Agora, quando vi ele todo machucado, fiquei em transe, porque mesmo trabalhando há dois anos e meio como conselheira, vendo vários casos de abuso sexual até, aquilo me chocou’.

Agora Bruna diz que ficará com o filho, mesmo continuando desempregada. ‘Não sabia que ele estava sendo maltratado porque eu ‘tava’ proibida de ver ele. Não tinha nenhum contato, nem por telefone. Quero ficar com meu filho’, disse a jovem, que hoje reside com a mãe em Belém. ‘Não passava pela minha cabeça que ele (o avô) tomaria uma atitude dessas com meu filho. Era o neto preferido dele’.

Barcarena registra 74 casos de abuso sexual desde 2005

Os bárbaros atos de violência sofridos por menino de seis anos em Vila dos Cabanos, distrito de Barcarena, no qual o avô e a esposa dele são os principais acusados, não são um caso isolado na região. O Conselho Tutelar de Barcarena informa que é alto o número de crianças vítimas dos mais diferentes tipos de violência. O dado mais chocante, no entanto, é o levantamento de 74 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes registrados desde 2005 e que revelam em quase 100% das situações, que a violência ocorre dentro de casa e praticada por um membro da família, exatamente a pessoa que deveria zelar pela segurança do incapaz.

Somente na tarde de ontem, no momento em que parte dos conselheiros ouvia o menino espancado pelo avô, o Conselho Tutelar recebia duas novas denúncias de crianças vítima de abuso sexual.

Almir Roberto dos Santos, Coordenador do Conselho Tutelar de Barcarena, contou que as duas crianças serão encaminhadas hoje para Belém, para uma série de exames do Centro de Perícia Científica Renato Chaves (CPCRC), e no Pró-paz.

Além dos altos números de casos, o conselheiro disse que a cidade sofre com a ausência de uma casa de passagem ou abrigo que receba as crianças em situação de risco. As crianças que foram alvo da denúncia registrada da tarde de ontem estão sob a guarda e na casa de um motorista do conselho de segurança do município. ‘Não temos uma casa de passagem, por isso voluntários abrigam as crianças em risco’, explicou Almir.

Após serem submetidas aos exames em Belém, as crianças retornam a Barcarena, onde, com o acompanhamento da psicóloga do conselho, serão ouvidas em depoimento pelo juiz da Vara da Infância e Juventude do município, Raimundo Santana.

Almir Roberto explicou ainda os dados do conselho tutelar demonstram outra chocante realidade. Segundo ele, na grande maioria dos casos de abuso sexual registrado, o agressor é da família da criança.

Com medo, menino se escondeu dentro de guarda-roupa

A cena é chocante: uma criança de apenas seis anos, escondida dentro de um guarda-roupas, com lesões por todo o corpo, provocadas pela violência do próprio avô e da mulher dele, a quem chamava de pai e mãe. O menino foi espancado por ‘mexer onde não devia’, segundo relato do avô à conselheira tutelar que, mesmo acostumada a se deparar com os piores tipos de violência contra crianças e adolescentes, diz que aquela foi a imagem ‘mais impactante que já vi’. A criança agora tenta curar as feridas do corpo e a se acostumar à nova realidade que começa a se descortinar à sua frente, voltando à guarda da mãe.

O Conselho Tutelar de Barcarena foi acionado terça-feira através de dois telefonemas feitos por vizinhos. Um deles informava que o menino apanhava todo dia às 6 horas e outro informou que há cerca de 30 dias não via a criança na área em frente à casa do avô, onde brincava diariamente. Disse também que, naquela manhã, a agressão foi ouvida das 7 às 13 horas.

No primeiro contato, Formiga alegou que o menino estava desde o final de semana com o pai em Abaetetuba, desculpa que chamou a atenção de Shirley. ‘O pai do menino é não-declarado, ele não tem contato com a criança, então era impossível que estivesse com ele’.

A conselheira chegou a entrar na casa para averiguar os cômodos, porém mesmo sem encontrar nada desconfiou que a criança ainda se encontrava ali. ‘Estava esperando a polícia chegar para entrar na casa e fazer uma busca, e liguei para o juiz da primeira vara de Barcarena, Raimundo Santana. Só quando seu Formiga me viu falando com o juiz é que começou a se explicar, disse que não sabia que o menino mexia nas coisas, que estava passando vergonha por causa disso, e que o menino estava tirando dinheiro de clientes, e aí tive a certeza de que ele estava mentindo. Entrei de novo no quarto dele e vi o menino saindo do guarda-roupa’, narra.

Fuga- Formiga e sua esposa, de prenome Geni, fugiram no carro de um dos clientes e, para surpresa da conselheira, a criança mesmo ferida não queria sair da casa. Aos conselheiros o garoto narrou que já teve as unhas arrancadas, os dedos queimados, a mão cortada por facão e as bochechas queimadas com faca quente, e que o avô colocava meias em sua boca para que não gritasse. Na terça-feira o menino foi encaminhado para o hospital municipal de Barcarena. Anteontem, veio fazer novos exames no PSM da 14 de Março, e ontem foi avaliado pelo Instituto Médico Legal.

Segundo o médico Saulo Costa, diretor do PSM, o menino foi submetido a exames ortopédicos e neurológicos, e foi diagnosticada uma fratura na mão direita de pequenas proporções. ‘A criança relatava que apanhava com sandália, com a capa do facão e com cabo de vassoura. Ele também tinha uma lesão no olho esquerdo e escoriações’, descreve o diretor.

O laudo do IML sai hoje, mas o médico Henrique Dias adiantou que as áreas mais machucadas são a face, o pescoço e o braço, ‘escoriações típicas de quem é arrastado’.

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2 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Gina walcher  |  18 de Junho de 2009 às 17:05

    Boa tarde!
    eu li esta Repotagem chorei de tristeza,em saber que isto ainda existe no Braisil espancamento de menor,
    eu sair do Brasil a muitos anos,o meu tempo de crincas nao foram nada bom..
    fico feliz em saber que esxite vizinhos com bons coracoes ,hoje em dia. dezejo que esta crinca tambem tenha muito sorte como eu,

  • 2. Large Hamster Cage  |  29 de Janeiro de 2010 às 22:37

    been looking for something like this all day :) thanks.

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