Arquivo de 28 de Outubro de 2007

CTBel quer desafogar trânsito no centro

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Projeto

Companhia quer retirar metade dos õnibus que circulam na Presidente Vargas

A Companhia de Transportes de Belém está elaborando projeto para diminuir em pelo menos um terço o número de ônibus que hoje circulam pela avenida Presidente Vargas. Segundo o coordenador de Transportes da CTBel, Walter Campos, a medida ajudará a desafogar o trânsito na área central de Belém e já está prevista no Plano Diretor de Transportes do Município, elaborado em 2001. ‘Estamos fazendo os estudos preliminares e quando estiverem concluídos vamos convocar o Setransbel e as empresas para apresentar os resultados com relação a essa proposta’, afirma.

Atualmente, 40 linhas urbanas, vindas de diversos bairros da capital e até de outros municípios da Região Metropolitana de Belém, circulam pela avenida, uma das mais importantes da cidade. Pelo menos 460 veículos passam durante o dia pelo local, sendo que 299 chegam a se aglomerar pelo corredor nos horários de pico. Com a mudança, a CTBel diminuiria esse número em pelo menos 150 veículos.

A proposta de mudança na rotas dos coletivos em vias como a Presidente Vargas já consta de projetos maiores, como o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) da Região Metropolitana de Belém, concluído em 2000 e revisto em 2003 pelo governo do Estado, mas que até hoje não foi executado. ‘O sistema de transportes de passageiros em Belém tem uma estrutura radial, ou seja, as linhas vêm de vários bairros e até de outros municípios da RMB e se dirigem para a área central da cidade. A gente observa que em grande parte dessa operação os ônibus circulam com altos índices de ociosidade. Por isso vamos elaborar um plano de operação em que a idéia inicial é deixar dois terços das linhas operando e mudar o retorno do restante para outros pontos às proximidades’, afirmou. Ainda de acordo com o coordenador de Transportes, outros pontos críticos para o transporte público em Belém são o Ver-o-Peso e trechos da avenida Padre Eutíquio.

Pela proposta que começa a ser alinhavada pela CTBel, as linhas que hoje chegam pela avenida Pedro Álvares Cabral e Senador Lemos e retornam pela Presidente Vargas, por exemplo, podem adotar rotas alternativas. Segundo Walter Campos, o resultado imediato, além da diminuição de engarrafamentos, será percebido pelo usuário intermediário, aquele que não vem até o centro da cidade, que sentirá a diminuição no tempo de espera pela linha e durante a viagem. ‘Ele retornará ao bairro mais rápido’, garante.

A CTBel não informou a data em que será apresentado o estudo final com todas as alterações sugeridas. A idéia parece não ter agradado aos empresários, que já demonstraram descontentamento com a iniciativa e aguardam mais informações da CTBel para se posicionarem oficialmente através do Sindicato da categoria. O coordenador de Transportes da CTBel garante, no entanto, que tanto a entidade quanto os usuários serão ouvidos. ‘Quando tivermos um pré-projeto, vamos chamar o Setranbel e detalhar a idéia. Tanto o órgão gestor quanto as operadoras têm como cliente final o usuário, que também poderá opinar. Faremos pesquisas para saber se a mudança afetará de forma positiva ou não’, afirmou.

Empresários contestam medidas e sugerem ordenamento de camelôs

Apesar de ainda não conhecer o conteúdo do projeto da CTBel para a avenida Presidente Vargas, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel) se posiciona contrário à idéia. O consultor do sindicato Délcio Souza, que tem experiência no setor de transportes urbanos, afirma que não existem rotas alternativas viáveis para se desviar o fluxo de ônibus como pretende o órgão da Prefeitura de Belém.

Segundo ele, o ponto mais aproximado para um desvio sem conseqüências negativas seria a Praça Waldemar Henrique, que, no entanto, é considerada longe e, para ele, não agradaria aos usuários. ‘Imagine que se utilize a Assis de Vasconcelos, por exemplo: vai acabar confundindo com os ônibus que ainda estão indo em direção ao Ver-o-Peso. E no caso da Praça Waldemar Henrique as pessoas teriam que caminhar mais de um quilômetro para chegar ao centro’, afirma.

O Setransbel defende como saída para o excesso de coletivos rodando na avenida a retirada dos camêlos das proximidades das paradas de ônibus, o que segundo Délcio acaba obrigando as pessoas a ficar no meio da rua aguardando as linhas que circulam por lá. Outra idéia é a expansão do número de paradas, com a criação de pontos seletivos. ‘Hoje temos apenas três paradas e a pessoa só tem uma opção. Assim, a faixa da direita seria reservada para ônibus e poderia ser eliminado, também, o estacionamento em diagonal’, sugere.

Sobre a argumentação da CTBel de que durante boa parte do dia os ônibus circulam vazios pelo centro de Belém, o representante do Setransbel afirma que o sindicato reconhece que isso acontece, no entanto, afirma que a Companhia de Transportes deve combater o transporte clandestino, que segundo ele é o que está tirando o passageiro dos coletivos. ‘Eles já têm ponto fixo na Praça do Relógio e vêm da Estrada Nova, do Jurunas, da Cremação. Na hora que tirar o ônibus da rua, o espaço será ocupado pelos camelôs e pelos clandestinos. Se quer racionalizar a frota, tem que fazer isso na cidade toda, não apenas na Presidente Vargas’.

Fonte: http://www.orm.com.br/

Adicionar comentário 28 de Outubro de 2007 às 19:46 admin


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