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Adicionar comentário 24 de Outubro de 2007 às 11:46 admin
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Deixar as “portas abertas” ao sair de uma empresa é fundamental, afirmam consultores. No dinâmico mercado atual, os executivos raramente fazem carreira em uma empresa só. As mudanças são freqüentes. Mas mesmo que se a saída se dê por uma proposta muito interessante, o profissional não deve deixar uma má impressão, por pior que seja a situação. A conduta a ser seguida pelo executivo deve considerar o fato de ele nunca saber, com certeza, se precisará, no futuro, bater à porta da empresa onde atuava anteriormente.
Para o consultor Tom Coelho, diretor da Infinity Consulting, quando o executivo resolve mudar de casa, precisa ser transparente, tanto em relação à empresa onde trabalhou quanto com a nova companhia. Mas isso não inclui falar mal do local onde se trabalhou antes. “Seja qual tenha sido o problema, com os sócios, com a gestão ou com a diretoria, seja qual tenha sido o desconforto e insatisfação, é melhor omitir”, afirma. E o motivo é simples: não se deve dar à nova empresa a impressão de que fará o mesmo com ela se um dia resolver deixá-la. “Este não é o momento para ser autêntico, e o melhor é sair com alguma delicada frase feita, como incompatibilidade de idéias e de projetos”.
Em relação à empresa de onde está saindo, o consultor acredita que o melhor é dar a melhor assistência possível. “É fundamental preparar alguém, o que deveria estar sendo feito mesmo antes de se pensar em mudar”, diz.
Alguns consultores orientam o profissional a dar um prazo de um mês até o total desligamento da empresa. Coelho também acredita ser importante dar à companhia um período para se preparar. “Toda saída normalmente demanda uma semana de transição. Se não for possível, pelo menos durante um curto espaço de tempo (no máximo 15 dias), o profissional deve se colocar à disposição para ajudar via e-mails ou telefonemas em alguma emergência. Em último caso, deve-se pelo menos preparar um documento que possa orientar o substituto” diz.
Para o consultor, deve haver também “um diálogo franco e honesto com o empregador atual”, justificando a saída, agradecendo a oportunidade e indicando duas ou mais pessoas da equipe que possam assumir a função. “Se o executivo está seguro da decisão, deve deixar isso bem claro para a empresa. Mas se houver possibilidade de negociação, só deve dar o ok à nova empresa quando encerrar as conversações” orienta.
Para Vivian Manasse, sócia fundadora da consultoria Going Place, que trabalha principalmente com expatriação e repatriação de executivos, a civilidade ao sair é muito importante, especialmente no Brasil. “Isso tem peso diferente em diversas culturas. É diferente nos locais onde o trabalho é mais encarado como tarefa e em países como o Brasil, onde o trabalho é mais motivado pelo relacionamento. Isto é uma realidade no País, onde precisa-se das pessoas e das informações e trabalhar de forma cooperativa é importante”.
Vivian diz que, na saía, não vale a pena entrar em conflito. “Inclusive porque a crise de hoje pode não ter mais sentido amanhã”. Vivian, porém, alerta que há o lado negativo da saída amigável. Algumas empresas se aproveitam da necessidade de se manter as portas abertas para impedir, por exemplo, ações trabalhistas. “Alguns setores se beneficiam e não cumprem as normas legais”, diz ela. “Procurei deixar as portas abertas em todos os lugares onde trabalhei. É um patrimônio que você conquista”.
Segundo ela, os executivos estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil estranham a situação. “No inicio, interpretam mal, como troca de favores, algum tipo de nepotismo, mas aos poucos vão percebendo que não é mera troca de interesse. Vão percebendo que é um processo legítimo e até passam a usa-lo”, explica.
O empresário Manuel Beleza Moreira Chicau, dono de uma importadora de vinhos, conta que, há quatro anos, quando resolveu deixar o emprego de 22 anos na Tecnisa, onde era diretor de engenharia, para se dedicar à importadora, levou quase seis meses para se desligar totalmente. “Sempre gostei da minha profissão e eles foram sempre muito honestos comigo. Foi um bom lugar para trabalhar e, mesmo pretendendo seguir a vida como empresário, acho mais que natural deixar as portas abertas. São meus amigos e mantemos contato até hoje” diz. “Fui muito feliz entregando casas para as pessoas morarem como sou feliz hoje vendendo vinhos”, completa.
(Gazeta Mercantil - Regina Neves)
Fonte: http://br.news.finance.yahoo.com
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