O balanço efetuado pelo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese) sobre emprego formal no Estado mostra que o índice de desemprego aumenta pelo quinto mês consecutivo no Pará, com perde de quase 15 mil postos de trabalho. Com 19.953 desligamentos contra 19.271 admissões feitas durante todo o mês de maio, a perda foi de 682 postos de trabalho, gerando um decréscimo de 0,31% no setor formal da economia.
Os dados são divergentes se comparados aos do ano passado, quando, no mesmo período, o saldo foi positivo de 2.050, com 21.996 admissões contra 19.946 desligamentos - crescimento de 0,4%. O maior retrocesso na geração de empregos foi novamente no setor da indústria de transformação, que em maio deste ano sofreu queda de 0,66%, seguida da indústria de construção civil, que recuou 0,62%, e do setor da agropecuária, com a diminuição de 0,15% na geração dos postos de trabalho.
Além do Pará, o balanço a respeito do comportamento do emprego também foi feito em outros Estados da região Norte, para analisar a oscilação nos postos de trabalho. Apenas três Estados nortistas apresentaram saldos negativos de empregos formais, no comparativo entre admitidos e desligados, foram esses: o Pará, o Amazonas e o Amapá. Os outros, que constituem a maioria da região, apresentaram o aumento.
CONSTRUÇÃO
No ranking, Rondônia ficou em primeiro lugar, obtendo o melhor desempenho com o crescimento de 3,08% e saldo positivo de 5.361 empregos formais, seguido do Acre, que registrou crescimento de 0,79% e saldo positivo de 443 postos. O Pará ficou em ultimo lugar na lista, contabilizando o saldo negativo de 682 postos de trabalho.
A pesquisa feita nos cinco primeiros meses do ano revela saldo negativo em mais de 14 mil postos de trabalho, com 93.840 admissões contra 108.324 desligamentos em todo o Estado, operando decréscimo de 2,62% postos. Nesse mesmo período no ano passado foram feitas 255.683 admissões contra 229.957 desligamentos, produzindo saldo positivo de 25.726 empregos formais desde a crise.
O setor da construção civil foi o que sofreu o maior impacto com perda de postos de trabalho formal, queda de 13,94%, seguido da indústria de transformação, com diminuição de 6,26%, agropecuária, com recuo de 2,36%, e o setor do comércio, com queda de 1,17% na geração de empregos formais. Este ano também foram analisados os demais Estados da região Norte. No balanço entre admitidos e desligados, dos sete Estados, a maioria apresentou saldos positivos de emprego.
RETRAÇÃO
Novamente, o Estado de Rondônia obteve o melhor desempenho com crescimento de 6,81% e saldo positivo de 11.392 empregos formais, seguido de Tocantins com crescimento de 1,58% e saldo positivo de 1.691 postos. O pior desempenho ficou com o Amazonas com perda de 15.159 postos e decréscimo de 4,32%, seguido do estado do Pará com decréscimo de 6,62% e saldo negativo de 14.484 postos de trabalho.
Em toda a região Norte foram feitas nos primeiros cinco meses de 2009 245.949 admissões contra 261.657 desligamentos gerando saldo negativo de 15.708 empregos formais, com decréscimo de 1,19% nos postos de trabalho. Os impactos causados pela crise econômica fizeram com que a economia do Estado do Pará extinguisse 26 mil postos de trabalhos formais em apenas seis meses.
O setor que mais sofreu reflexo da crise foi o da construção civil com a perda de dez mil postos de trabalho, seguido da indústria de transformação com a diminuição de 8,6 mil postos, o setor do comércio com saldo negativo de 3,2 mil postos e do setor da agropecuária com a perda de três mil postos.
O mercado formal de trabalho brasileiro registrou em maio saldo líquido (diferença entre admissões e dispensas) de 131.557 postos, o melhor desempenho mensal do ano. Também foi o quarto mês consecutivo de crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada. O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) - pela primeira vez desde o agravamento da crise no fim do ano passado - foi positivo em todos os setores da economia e em todas as regiões do País.
Apesar disso, o País ainda não conseguiu recuperar todas as vagas eliminadas pelas turbulências internacionais. Do total de 797.515 empregos fechados entre novembro e janeiro, foram recuperadas nos quatro meses subsequentes 281.759 vagas. Em maio de 2008, haviam sido criados 202.984 postos de trabalho.
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A taxa de desemprego ficou estável em 15,3% em maio, após três meses consecutivos de alta, segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada nesta quarta-feira.
O contingente de desempregados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas –Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo– no mês passado foi estimado em 3,298 milhões de pessoas, 41 mil a mais do que no mês anterior. A criação de vagas foi de 81 mil, porém insuficiente para absorver a entrada de 97 mil pessoas no mercado de trabalho.
Já o nível de ocupação no país cresceu 0,5%. O total de ocupados nas seis regiões investigadas foi estimado em 17,096 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa), em 21,192 milhões.
Em São Paulo, a taxa de desemprego ficou em 14,8% em maio, ante 15% de abril, sendo que o contingente de desempregados estimado foi de 1,564 milhão de pessoas, 4.000 a menos do que o mês anterior.
Em Belo Horizonte, a taxa foi de 10,8% para 11%; no Distrito Federal foi de 17,5% para 17%; em Porto Alegre foi de 12,1% para 12,6%; no Recife foi de 20,7% para 20,4%, e em Salvador, foi de 20,5% para 21,6%.
Impulsionado pela atual crise econômica, o cenário mundial é de instabilidade, mesmo assim, a notícia de que está demitido pega qualquer um de surpresa. As reações são diversas, mas o abalo emocional é unânime. Até aqueles que já andavam insatisfeitos com o trabalho ou empresa sentem a demissão. Mas, diferente do que possa parecer, não é o fim do mundo e, é sim, possível encontrar um novo emprego - às vezes, antes do que se imagina.
Apesar do abalo inicial, é muito importante manter a calma e não se deixar abater. “A maioria das pessoas fica atônita diante de uma situação como essa, porque mesmo conhecendo os riscos, nós temos o costume de pensar que não vai acontecer com a gente, então quando acontece as emoções se misturam. Aprender a controlar os sentimentos é fundamental para conseguir passar por essa fase”, aconselha a consultora Vanessa Araujo, da Luandre.
Para Renato Waberski, da Thomas Case e Associados, muitos profissionais erram acreditando que foram demitidos por incompetência ou falta de resultados. “A demissão, ainda mais num momento como o que estamos vivendo, não pode ser considerada sinônimo de incompetência. Os motivos para uma empresa demitir são muitos e o profissional não deve levar isso para o pessoal. Assim, terá mais ânimo para começar as buscas por um novo emprego”, garante Waberski.
Respire fundo
Aproveite o primeiro momento para respirar. Com a correria e o stress do dia-a-dia poucos são aqueles que têm um período de descanso, por isso, tente diminuir um pouco o ritmo. “Esse momento é bom para que o profissional consiga assimilar a situação. Para construir uma relação saudável com o período de desemprego é preciso reconhecê-lo como seu”, aponta Vanessa.
Depois de um fundo suspiro é possível pensar no que quer e como se apresentar ao mercado de trabalho. “O profissional não pode perder a segurança. Traçar a busca por um emprego como objetivo e ser competitivo são pontos indispensáveis”, explica Waberski.
O depois passo-a-passo
Passado o momento de choque, é hora de levantar e ir à luta. Os especialistas garantem “Há vagas, só é preciso estar atento para encontrá-las”. Confira os passos que eles consideram importantes.
Tenha foco - Saiba qual mercado quer atacar e trabalhe todas as formas de chegar até ele. Networking é fundamental, por isso refaça contatos e divulgue-se para o mercado.
Organize-se financeiramente - Durante o período de desemprego é preciso ter mais cautela. Envolva a família, converse para que todos entendam a situação e tenham objetivos alinhados.
Prepare-se para a maratona - Empenhar-se na busca por um emprego é trabalhoso, então esteja bem preparado para os processos seletivos que envolvem dinâmicas de grupo, entrevista pessoal, testes.
Novas possibilidades - Tenha sempre a mente aberta com relação a propostas, salários e benefícios. “Às vezes, é preciso descer um pouco para conseguir subir novamente”, finaliza Vanessa.
75% das emissões brasileiras vêm de desmatamento e queimadas. Como lembrou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, no lançamento do Plano, conter o desmatamento ilegal é um esforço de vários setores da sociedade e passa por medidas como a regularização fundiária na Amazônia e a implantação do zoneamento ecológico-econômico, um instrumento de planejamento de políticas públicas que considera aspectos econômicos, ambientais e sociais de cada região.
Ações de planejamento ou de fiscalização do governo, entretanto, não serão suficientes. Embora o Plano Nacional não tenha medidas dirigidas especificamente ao consumo, o consumidor terá um papel fundamental para que o país atinja seus objetivos. A importância das ações do consumidor em relação ao aquecimento global foi demonstrada por um estudo feito pela consultoria McKinsey, sob encomenda da Confederação das Indústrias Britânicas (CBI, na sigla em inglês). O relatório “Mudanças climáticas: um assunto de todos” mostrou que, na Inglaterra, 60% das emissões de gases de efeito estufa são controladas ou influenciadas pelos consumidores. Com base nesses dados, os planos daquele país para redução de gases de efeito estufa foram modificados, como informou Martin Broughton, presidente da CBI, durante a apresentação do relatório no Brasil. O foco principal recomendado, sobre o qual as indústrias e o governo deveriam agir, passou a ser o consumidor.
Apesar de não haver levantamento semelhante no Brasil, há uma clara relação entre consumo e desmatamento ilegal de florestas. O estudo “Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia: quem se beneficia do desmatamento da Amazônia”, realizado pelas ONGs Repórter Brasil e Papel Social, mostra como o consumo da maior cidade brasileira é indutor direto das atividades econômicas na região amazônica. Muitos produtos originários da Amazônia e vendidos em São Paulo, especialmente carne, soja e madeira, não têm garantia de origem e vêm de áreas onde ocorre desrespeito à legislação ambiental e trabalhista. Mais de 80% da madeira vendida no Brasil, por exemplo, sai de áreas de desmatamento.
Ao apresentar a pesquisa durante o seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo-Amazônia”, realizado em São Paulo em outubro de 2008, Leonardo Sakamoto, da Repórter Brasil, destacou a responsabilidade das empresas que adquirem produtos de fornecedores ilegais. Entretanto, ressaltou a necessidade de o consumidor ter mais informações sobre a origem dos bens e serviços que compra, além da consciência dos impactos desses produtos e serviços. “O ato de comprar algo é político, pois você está comprando a forma como aquilo foi produzido”, avaliou.
Outro estudo — “A Pecuária e o Desmatamento na Amazônia na Era das Mudanças Climáticas” —, recém-divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostra que o avanço da pecuária é o principal fator da derrubada da floresta nos últimos anos. Desde 2004, o Brasil é o maior exportador mundial de carne. O rebanho bovino brasileiro chega hoje a 207 milhões de cabeças, e foi na região amazônica que ocorreu a maior expansão dos pastos. Entre 1990 e 2005, a pecuária ocupou entre 75% e 81% do total desmatado. Um dado é particularmente revelador: o índice de desmatamento sobe e desce conforme aumenta ou cai o preço da carne.
Essa relação entre a destruição da Amazônia e o mercado levou à criação de pactos empresariais para o controle da cadeia produtiva da carne, da madeira e da soja. Lançados também durante o seminário “Conexões Sustentáveis”, os pactos prevêem que as empresas e instituições signatárias financiem, distribuam ou comercializem apenas produtos certificados ou que comprovadamente sejam adquiridos de fornecedores que não estejam envolvidos com trabalho escravo nem tenham pendências legais com órgãos de fiscalização ambiental. Além disso, é responsabilidade dos signatários fazer campanhas de esclarecimento sobre a legalidade desses produtos a seus consumidores e fornecedores. O Instituto Akatu é signatário dos três pactos, além de membro do Comitê de Acompanhamento dos mesmos.
Portanto, ao comprar carne, soja e madeira, o consumidor é o elo final de uma cadeia produtiva que pode ser ancorada nas boas práticas sociais e ambientais. Procurando obter das empresas informações sobre a origem dos produtos, e optando por aqueles que comprovadamente não venham de fornecedores que estão na ilegalidade nem contribuem para a derrubada da floresta, o consumidor colabora para a preservação da Amazônia e para que o Brasil reduza cada vez mais suas emissões de gases de efeito estufa. E o consumidor brasileiro está preparado para fazer isso: segundo a pesquisa “Como e por que os brasileiros praticam o consumo consciente?”, divulgada pelo Instituto Akatu em 2007, um em cada três brasileiros percebe os impactos coletivos ou de longo prazo nas decisões de consumo. E 43% dos consumidores usam seu poder de compra para premiar empresas que tenham práticas adequadas de responsabilidade social e ambiental.
Em relação à redução de emissão de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, o consumidor também pode contribuir com ações cotidianas. Pode, por exemplo, reduzir sempre que possível o uso de combustíveis fósseis, seja a gasolina do automóvel ou o gás da cozinha e do aquecimento do banho. A dica também é válida para o chuveiro elétrico — ou qualquer equipamento que funcione com eletricidade. Embora a energia elétrica no Brasil seja produzida basicamente por usinas hidrelétricas, as mesmas emitem gases de efeito estufa, e, além disso, o governo federal tem planos de construir usinas termoelétricas a gás (um combustível fóssil) para atender o crescente consumo.